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27-março-15   CARLOS ARRUDA

Arquiteto, web designer, enófilo, professor, intérprete francofone, consultor comercial e autor de artigos sobre vinhos, criador e diretor do site Academia do Vinho.

Atuando profissionalmente com vinhos desde 1997, tendo inclusive participado da formação dessa cultura no Brasil, assisti de camarote à evolução dos consumidores brasileiros nesse período.

Relato aqui evoluções importantes nessa caminhada.

Nos países produtores de vinho a cultura de consumo é passada nas famílias, sempre com vinho à mesa. Desde a adolescência os filhos provam vinhos com os pais, é uma cultura secular. Nosso país tropical não tem essa cultura, então tivemos de aprender bem mais tarde.

Depois do sucesso do Liebfraumilch nos anos 80, quando os brasileiros começaram a se interessar pelo vinho, passamos um bom tempo concentrados nos vinhos do Chile e da Argentina. A proximidade geográfica facilitava a importação, e a indicação da uva no rótulo ajudava na escolha, então os Malbec e Cabernet Sauvignon se tornaram frequentes em nossas taças. A Carmenère logo entrou para esse clube, reafirmando a preferência por vinhos tintos que duraria por bastante tempo. A busca por tops chilenos foio santo graal da qualidade, era pagar mais caro por mais qualidade do mesmo perfil de vinhos.

Hoje os tintos franceses, principalmente de Bordeaux, os espanhóis, os toscanos e o ícone italiano Brunello, os portugueses do Alentejo, e outros países dividem a atenção dos compradores.

Os vinhos brancos foram durante muito tempo considerados aguados ou vinho de mulher. A oferta geral era de rótulos mais baratos, apenas os conhecedores consumiam grandes brancos, na maioria franceses. Hoje os brancos estão em alta, a importação de rótulos de maior prestígio aumentou muito, e a diversidade também cresceu.

Consumidos unicamente em formaturas e no réveillon, os espumantes experimentaram um surto de consumo com a descoberta do Prosecco, a ponto de seu nome se tornar símbolo para espumante... Hoje, uma grande diversidade de espumantes é consumida em todos os momentos, os franceses ganharam muito espaço. Esses ótimos vinhos se tornaram - como na Europa - o vinho ícone para aperitivos, reuniões informais e welcome drink.

Os espumantes brasileiros tiveram grande alta, desde o início de uma produção de qualidade ao final dos anos 90 e várias premiações mundiais. Hoje a concorrência de preços dos importados dificulta sua venda em maior volume.

Os vinhos rosés tiveram altas e baixas de consumo nos últimos dez anos, mesmo no âmbito mundial. Ainda são considerados vinhos femininos e erroneamente vistos como adocicados, culpa de vinhos do passado. Hoje os rosés gastronômicos, secos e elegantes ganharam muito público, principalmente feminino, mas são vinhos interessantíssimos em termo de combinação com comidas. O estilo da Provence, com rosés de cor leve, mas intensos na boca, é uma alta mundial.

Nos últimos anos a descoberta das regiões e denominações de vinhos de muitos países explodiu com as facilidades de importação e exportação. Países como Espanha, Austrália, África do Sul, Nova Zelândia, Grécia surgiram nas prateleiras, com muita qualidade e preços competitivos em relação aos tradicionais França, Itália e Portugal.

Com isso, os consumidores podem hoje encontrar os vinhos que mais lhe agradam, depois de experimentar livremente essa enorme variedade.

Temos a tendência de repetir o que já conhecemos, por medo de errar frente ao desconhecido. Para isso, a sugestão dos sommeliers é uma grande ajuda, pois rapidamente você vai descobrir o estilo de vinho que lhe agrada mais.

Hoje temos à disposição um riquíssimo portfólio de vinhos, graças à globalização. Uma pergunta frequente ´Indique-me um bom vinho´ tornou-se incoerente, pois diante da variedade de sabores, estilos, uvas e culturas, o correto é pensar em qual ´estilo´ gustativo lhe agrada, e isso pode variar muito... então, experimente, arrisque, e divirta-se!

Referências

Fonte: Artigo publicado pelo mesmo autor na Revista Verdemar em abril de 2015

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