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Chile
Notícias do Chile

11-junho-18
4 novas DO marcam mudanças na legislação vinícola do Chile
Uma alteração importante no decreto 464 agora permite a existência de DOs menores que um município, valorizando as características dos pequenos territórios e desvinculando as delimitações da esfera geo-política.

Introdução Mais

Dos países produtores de vinho da América do Sul o Chile é sem dúvida o mais qualificado e de maior sucesso no comércio mundial.

A partir de 1980, após uma fase de melhorias tecnológicas, a vinicultura chilena explodiu em volume de produção e relação qualidade-preço, surpreendendo o mundo com produtos competitivos.

O volume de sol nos vales dos rios, aliado às ótimas condições de sanidade do ambiente, possibilitou a produção de tintos potentes, com alto teor alcóolico, onde se abusava da maturação em barricas para suavizar os taninos, criando um estilo próprio que agradou o mundo e elevou a fama do país.

Surgiram os tintos superpremium, que alcançaram prestígio internacional e um alto nível de preços, jamais alcan;ado por um vinho sulamericano.

Entre 2005 e 2010 esse estilo se tornou cansativo, uma nova geração de enólogos empreendeu experimentações na elaboração e na busca de novos terroirs, surgindo novos estilos de vinhos com mais elegância, equilíbrio e personalidade, principalmente pelo trabalho nas áreas costeira e de pré-cordilheira.

Importante entender que esse mosaico de terroirs e uma vinicultura com poucas restrições em vinhedos e elaboração levou à criação de produtos que exploravam as características naturais e fizeram grande sucesso pelo mundo, como o Clos Apalta 2005 nos Top100 Wine Spectator ou o Carmin de Peumo, um varietal de Carmenère que levou 97 pontos de Robert Parker.

Em 2013 uma comissão do governo fez um estudo de classificação dos territórios do pais para a vinicultura, abandonando a dominância do Valle Central e buscando uma melhor compreensão geoclimática das regiões.

O resultado foi uma importante mudança na percepção da diversidade dos territórios, oficializando a regionalidade e definindo diretrizes para uma nova etapa no vinho chileno, onde a peresonalidade dos microclimas se tornará a maior oferta .


Mapa vinícola do Chile (Wines of Chile)

Mapa vinícola do Chile (Wines of Chile)

Vinhos do Chile

O Chile é o país da América Latina que possui os melhores vinhos tintos elaborados com a uva Cabernet Sauvignon, alguns dos quais colocados pelos especialistas entre os melhores do mundo. Os vinhos tintos de outras uvas, especialmente Merlot e Syrah, melhoram a cada dia e alguns também já se destacam mundialmente.

Os vinhos brancos, particularmente os elaborados com as uvas Sauvignon Blanc ou Chardonnay, cresceram em qualidade e personalidade, mas são brancos geralmente de grande teor alcóolico, o que estabelece um estilo especial, exceção feita aos novos brancos dos territórios junto à Costa (Casablanca, San Antonio, Leyda) ou do sul, todos explorando microclimas mais frios.

Uma das peculiaridades do Chile é o fato de não ter sido vítima da praga Phylloxera Vastatrix, que devastou grande parte dos vinhedos do mundo, devido à sua condição geo-climática, protegido pelo Oceano Pacífico à oeste e pela Cordilheira dos Andes à leste.

Desse modo as parreiras chilenas são da espécie européia (Vitis vinifera) em pé-franco, isto é, plantadas diretamente no solo, sem necessidade de enxertá-las sobre raízes de espécies americanas, solução encontrada para resistir à Phylloxera.

Outra delas foi a descoberta, nos vinhedos de Merlot, durante um congresso internacional de vinicultura em 1994, de plantas da variedade Carmenère, uva julgada extinta quando a Phylloxera dizimou os vinhedos europeus.

Atualmente a Carmenère é a variedade emblemática do Chile, da qual se produzem varietais, mas sua principal atuação qualitativa ocorre em cortes em vinhos tintos de nível Premium, exatamente como era usada no passado nos vinhos de Bordeaux.

Atualmente vêm sendo reativados vinhedos antigos da Carignan na região do Secano, e várias vinícolas boutique já apresentaram vinhos destacados dessa variedade, historicamente explorada no sul da França e na Espanha.

Outras variedades que têm crescido no Chile são a Syrah, bem adaptada, com bons resultados em diversos vales e a Pinot Noir, surpreendendo com ótima tipicidade em sub-regiões mais frias.

Outra evolução recente é a exploração dos territórios próximos ao Oceano Pacífico, onde os vinhedos se beneficiam das brisas frescas e úmidas do mar, que refrescam as noites, e de neblinas matinais que reduzem o volume de insolação. Nessas regiões já surgem vinhos brancos de grande elegância e finesse, bastante diferentes dos vinhos alcoólicos dos vales centrais.

Também vem sendo exploradas sub-regiões nas encostas de maior altitude em direção à Cordilheira dos Andes, em territórios secos, com noites bastante frias. O custo de produção nesses locais é mais alto pelas dificuldades operacionais e de mão de obra, mas já se encontram vinhos de extraordinária qualidade, que recebem pontuações internacionais importantes, e os enólogos criativos estão apenas começando.

Para terminar, uma vinicultura de grande potencial está florescendo nos desertos de altitude do Norte, em Coquimbo, onde Elqui e Limari já são citados como terroirs de personalidade única, com clima frio e alto índice de luz ultravioleta. devido ao ar seco rarefeito, que contribui para profunda maturação fenólica das uvas.

A Cordilheira dos Andes vista do Valle del Maule

A Cordilheira dos Andes vista do Valle del Maule

Principais Variedades de Uvas Tintas

Cabernet Sauvignon: 38.806 ha
Merlot: 9.656 ha
Carmenere: 8.249 ha
Syrah: 5.391 ha
Pinot Noir: 2.598 ha
Cabernet Franc: 1.226 ha
Malbec / Cot: 1.148 ha
Área total de uvas tintas: 88.703 ha ( jan/2009 )

Principais Variedades de Uvas Brancas

Chardonnay: 12.739 ha
Sauvignon Blanc: 11.244 ha
Moscatel de Alexandria: 6.035 ha
Riesling: 333 ha
Viognier: 685 ha
Gewürztraminer: 287 ha
Área total de uvas brancas: 28.856 ha ( jan/2009 )

Geografia e Clima

O Chile é um país com um território estreito, de 177 km de largura em média e 4300 km de comprimento. A vinicultura se desenvolve na parte central do território, numa extensão de 1.100 km.

Situado longitudinalmente entre a Cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico, sua topografia particular cria vários climas diferentes conforme a influência do mar. Entretanto, no planalto central a serra costeira bloqueia essa influência, determinando um clima mediterrâneo com verões quentes, pouca chuva e baixa umidade.

Do norte ao sul do país existe assim uma grande variedade de climas, mas na região central, onde fica a zona de produção tradicional, o clima é mediterrâneo ameno.

As chuvas se concentram no inverno e primavera, com um longo peíodo de seca que dura até o outono.

A forte influência da fria corrente marítima de Humboldt e das brisas frescas que descem das montanhas criam uma grande diferença de temperaturas entre o dia e a noite, o que forma um excelente ambiente para o cultivo de uvas.

Além disso, a barreira formada pelos Andes impede o acesso de pragas tão danosas como a famosa Philloxera, permitindo o crescimento de parreiras sem enxerto, diferente do que hoje se tornou uma prática obrigatória no resto do mundo.

Diagrama do relevo do <em>terroir</em> chileno

Diagrama do relevo do terroir chileno

Fatores do clima no Chile
Influências climáticas nos diferentes <i>terroirs</i> do Chile

Influências climáticas nos diferentes terroirs do Chile

Os territórios situados fora dos vales chilenos são marcados por duas influências marcantes:

- O trecho entre o mar e a Cordilheira da Costa recebe ventos frios e úmidos que resfriam os vinhedos à noite e produzem neblinas que duram parte da manhã, o que reduz a insolação e atrasa a maturação.

- Os trechos da pré-cordilheira recebem ventos frescos vindos da montanha, produzindo amplas diferenças de temperatura durante a noite, que contribuem para a formação de acidez nas uvas e atrasam a maturação.

Apenas a partir de 2010 se iniciaram maiores explorações vinícolas nesses territórios, que vêm mostrando um potencial extraordinário para a produção de vinhos mais elegantes e refinados comparados aos vinhos tradicionais produzidos há décadas nos vales planos com temperaturas mais altas.

História
Cena típica de trabalho nos vinhedos Cousiño Macul em 1890 (Wines of Chile)

Cena típica de trabalho nos vinhedos Cousiño Macul em 1890 (Wines of Chile)

Na segunda viagem de Colombo para a América, em 1493, mudas de parreiras foram trazidas e rapidamente espalhadas pelo continente. Foram levadas para o Peru e depois para o Chile em 1548, pelos monges Bartolomeu de Terrazas e Franciso de Carabantes respectivamente. Do Chile foram introduzidas em Santiago Del Estero e Mendoza, assim iniciando a produção de vinhos na Argentina.

As primeiras safras chilenas aconteceram em Santiago e produziram pequenas quantidades de vinho para uso particular e para rituais religiosos. Alguns anos depois, Francisco de Aguirre conduziu a maior colheita em Copiapó, impulsionando uma atividade que perduraria pelos séculos seguintes, gerando um método de produção tradicional e um comércio local.

Durante o período colonial, a colheita da uva foi a mais importante atividade agrícola onde homens, mulheres e crianças trabalhavam juntos na produção do vinho.

Três séculos após as uvas terem sido introduzidas no Chile, o verdadeiro potencial vinícola do local foi descoberto. A Independência do país abriu caminhos para novos mercados, que influenciaram a indústria vinícola chilena com novas tecnologias, vinhedos melhorados e maior qualidade na colheita.

Uma das grandes mudanças aconteceu em meados do século XIX, com a criação de novas vinícolas como Carmen, Errazuriz Panquehue, San Pedro, Cousiño Macul e Concha y Toro. Durante o processo de modernização as variedades Cabernet Sauvignon, Chardonnay e Pinot Noir foram importadas.

Somente em 1990, quase um século depois, as vinícolas chilenas empreenderam uma nova ênfase na produção, criando vinhos premium aclamados internacionalmente.

Mais informações no site:

Internet www.winesofchile.org
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